
Ela, Angélica Freitas, escreve tão despretensiosa, bem o oposto do que eu imaginei quando li o título. Eu adorei, achei muito divertido, adorei as referências, achei as palavras em língua estrangeira escritas de forma natural e não de forma maquinada como fórmula de conteúdo ausente. Vou transcrever um dos textinhos (digo textinhos porque o livro é pequenino, as páginas, os textos propriamente ditos, são todos diminutos... uma graça!).
"Entro na livraria do bobo.
não tenho dinheiro
e tampouco tenho talento para o crime.
desfilam ante meus olhos
títulos maravilhosos
moribundos de tanto estar
nas prateleiras.
roube-nos, dizem eles.
não aguentamos mais ficar aqui
na livraria do bobo.
quem acreditaria
nesta versão dos fatos?
ajudem-me, maragatos
nesta hora afanérrima
de uma libertadora paupérrima
de livros.
retumba meu coração. retumba
mais que a bateria do salgueiro.
treme o corpo por inteiro
e as mãos já suam em bicas.
ganho a rua, as mãos vazias
e os livros gritam: maricas."
Não é ótimo?! Li o livro todinho, dá pra sentir que ela tem amor pelo livro como instituição, como entidade. Das balas soft à Gertrude Stein e sua bundona, acho que foi um belo agradinho para um dia feio como hoje.
Eu entendo e partilho do sentimento dela em "Rilke Shake" (texto que dá título ao conjunto). Entendo direitinho, só que no meu caso o sabor não é Rilke, e a mistura não se faz com sorvete.
Que delícia este blog, transbordando boas dicas.
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