Esse post porém foi motivado pelo SENSACIONAL GENIAL "O Raio Verde"! Que é inacreditável, encantador, DEUS! A personagem principal, Delphine, é a heroína da minha vida! Ela coloca em palavras e conceitos sentimentos confusos, abstratos, quase fantasmagóricos que habitam minha cabeça e coração ruivos desde sempre e que eu mesmo não conseguia nomenclaturar. O filme é de uma sutileza e de uma complexidade que dão sentido a minha pobre existência! O Rohmer cria uma espécie de sobreposição de histórias usando o texto do Julio Verne, em um filme absolutamente realista, simples, e maravilhoso e mágico, como eu acredito que o mundo realmente é! O enredo de forma simples conta a história de uma moça que tem férias, e ela está sozinha (romanticamente) e para ela esses dias de descanso são quase que um pesadelo, ter que conviver consigo mesmo sem trabalhar é uma experiência difícil, eu mesmo, amo ficar sozinho (fisicamente), mas mesmo amando ficar em paz fico sempre a um passo da loucura. Entram em cena diversos personagens, a sueca (deusa) que não confia nas pessoas, um grupo de velhas amantes da literatura, as amigas metidas, compreensivas, os amigos de amigos, os estranhos....
A propósito, Raio Verde é o último raio do sol antes dele sumir no horizonte, quando ele está quase desaparecendo, por um instante só, ele aparece. Quem o vê tem a capacidade de ler os seus próprios sentimentos, e os dos outros!
Delphine é sempre ela, jamais tenta ser agradável, coerente, sedutora, interessante ou engraçada, ela é minha ídola, ela é maravilhosa porque ela é maravilhosa, sem artifícios. Ela diz algumas coisas que realmente me transformaram, coisas inestimáveis, palavras que dá vontade de fechar na mão, e empurrar pra dentro do peito, não sei se me faço entender. Não sei se consigo transformar em texto tudo de incrível que essa experiência significou para mim. Aliás nem sei porque estou postando, essas coisas que traduzem de forma tão violenta e linda me são tão caras que não quero que ninguém "coloque a mão", realmente não faz o menor sentido postar. Existe um sentido sim, repassar algo bastante libertador que eu gostaria de saber há mais tempo, "é melhor sonhar do que encarar a realidade e desperdiçar esperança" (Delphine diz essa frase explicando seu comportamento de não-aceitação das relações com homens que serão apenas paliativos da solidão). Acho essa frase simplesmente perfeita para descrever a situação dos solteiros pensantes delphinados do mundo e além.
Outras delícias:
"Não tenho nenhuma carta na manga, nada para mostrar"
(gosto não pela construção, é uma frase bastante simples, mas ela é representativa de uma consciência dolorosa e muito íntima da personagem)
"A salada é como uma amiga"
"Na escandinávia estamos quase sempre nuas"
"Eu acredito em superstições pessoais"
Le Trailer. Estou de férias pelo menos até o ano que vem. Se não fosse pela Delphine não sei o que seria de mim.


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