segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Flannery, eu acredito em Deus

Um milhão de coisas se passaram pela minha cabeça nos últimos tempos, acreditar em um controle no fluxo de tendências de bondade idiossincráticas e a isso chamar de Deus, reavaliar todos os pesos, valores e funções das experimentações sensoriais (embate entre imaginação e mundo real), construir conceitos que me ajudem e me façam entender-me com o mundo, reconciliar-me com a imperfectabilidade do mundo, tentar chocar os ovos do mistério (e para quê?); e ela sempre ao meu lado.


Como é encantadora, sensacional e inigualável essa maluca criadora de pavões, como agradeço a Deus por tê-la hoje em minha vida. Uma proximidade tão enriquecedora, reconfortante, uma maneira tão plena de lidar com as palavras, de me afogar de questionamentos e revelações pela arte de contar uma boa história. Sinto ela realmente como uma amiga, mais que isso até.
Escrevi 17 contos para participar de um concurso literário (devo dizer que foi realmente maravilhoso escrever, independente do resultado, o ato de rabiscar as palavras me toma de maneiras indescritíveis, saio de mim, melhor que qualquer droga). Foi fundamental para me ajudar a entender a complexidade de construção de um pequeno universo essa leitura dos contos da Flannery. Ela tem uma liberdade na escrita, uma voz tão própria, é impossível não sentir-se inspirado.
Um dia quero ser tão bom quanto ela. Talvez eu consiga, tomara. A história da vida dela é sensacional, os pássaros, sua galinha amestrada, suas amizades epistolares, o Sul. Confesso que fiquei chocado ao ler alguns ensaios sobre a obra dela e ver o quanto as pessoas se preocupam em caracterizá-la como católica proselitista e até racista. É de uma idiotice tão grande querer taxá-la dessas e de quaisquer outras maneiras, fico irritadíssimo. Ela é genial, é isso que ela é. O realismo, o realismo, bla bla bla. Ela é a Flannery, maluca, bizarra, mestra da simplicidade, todas as histórias apaixonantes, construções de imagem, de linguagem, pluralidade de identidades, é uma coisa maravilhosa.

O mundo vale a pena porque pessoas como a Flannery são possíveis, apesar do horror generalizado, da mediocridade, da baixeza, da estupidez, existe esperança, eu, ao menos, desenvolvi certa fé. Outro ponto que não posso esquecer de citar, o conto "A Colheita", no qual a autora fala sobre uma personagem escritora (alguns outros personagens também são escritores, mas essa acho especial), como é fascinante ter acesso ao processo criativo dela, divino, miraculoso!
Me identifico muito com o menino que fala nesse vídeo, sorri até minha cara doer ao vê-lo falando sobre ela, seus dentes tortos, sua cara angulosa. Ele diz não saber o que de inteligente pode falar sobre ela, sinto-me em posição igual, mas nem acho necessário.

Eu te amo Flannery, e eu amo esse menino, queria tanto casar com ele.

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