quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Jazendo

O meu amor pelos monstros sulistas da pavoa-mãe Flannery O'Connor me levou inevitavelmente a um reencontro com o Faulkner. Dele já tinha lido a história do Maurice e da árvore dos desejos, uma lindeza só, fantasia sensacional. Eis que dois amigos me falam do quão incrível é "Enquanto Agonizo", As I lay dying.



A jornada do caixão! Meu Deus do céu!!!!

No começo me senti super desamparado, burro, nada fazia sentido. As múltiplas narrativas em primeira pessoa quase me deixaram louco, mas então... Depois do desconforto inicial, me apaixonei completamente, até porque o patriarca não tem dentes, o mais jovem diz coisas como: "Minha mãe é um peixe", e eu amo esse tipo de coisa.

Cada um deles é riquíssimo à sua própria maneira, apesar de todos os filhos ao menos preservarem e compartilharem um refinamento de pensamento incrível disfarçado pelos modos e falas camponesas e absurdas.

O capítulo em que temos acesso ao mundo particular da morta, por testemunho dela mesma, é um dos mais geniais capítulos de todos os tempos!!! A maluquice sobre a dissolução da palavra muitas vezes repetida, pensada, a falta de contornos que se apresenta quando se olha para quem dorme ao seu lado e se repete seu nome, aquele desespero da falta de concretude, a teoria de que quem fala sobre amor não ama, quem fala sobre dor não fica dolorido, a palavra enquanto subversão do sentido! Genial!!!!

O cimento na perna, os urubus onipresentes, a loucura, os segredos, o pragmatismo, a fantasia, o rio, as mulas!!!!

Sensacional, quero saber onde compra passagem para o condado de Yoknapatawpha????

Certamente o bilhete é em forma de pena de abutre.

Um comentário:

  1. O cimento na perna, os urubus onipresentes, a loucura, os segredos, o pragmatismo, a fantasia, o rio, as mulas!!!!

    Yuuko?

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