segunda-feira, 4 de maio de 2009

Na Redenção: Eu, Jorge Amado e um gostoso


Eu estive com umas vontades literárias bem esquisitas esses dias, estava louco para ler Edgar Allan Poe e algo bem, digamos, "colorido". Peguei um livrinho de contos dele, mas sabia que ia acabar rápido, então resolvi pegar algo bem distante dos gatos pretos e homens sob o efeito do mesmerismo. Lembrei de que minha amiga Lúcia me disse que eu ia gostar de Jorge Amado. Resolvi ler "O Milagre dos Pássaros".


Pois bem, fui eu até a Redenção, porque o livro realmente merece ser lido sob o Sol. Estendi o meu pano laranja no chão, me encostei em uma árvore, e fiquei no solzinho. Eram umas 16:00 mas o sol não estava matador, estava quentinho e bom. Nossa, fiquei impressionado. Eu nunca achei que Jorge Amado tinha a ver comigo, mas enganei-me completamente. Que delícia de texto, de descrições, de personagens. E o conto não era feito apenas de palavras, existe algo de mágico em sua composição. Estava eu, acompanhando as aventuras de Ubaldo Capadócio, poeta nômade conquistador que iria se envolver (trepar apenas, na verdade) com Sabô, a mulher do pistoleiro mais malvado da cidade de Piranhas. Não é que por meios que transcendem minha compreensão surge na minha frente um homem alto, moreno, seminu, com um corpo hipnótico, um magnetismo sem explicação, algo como o poder de atração do personagem do conto. Estava diante de mim, Ubaldo Capadócio, plantando bananeiras e jogando as pernas de cabeça para baixo de um lado para o outro. Minhas amigas iam ficar loucas, uma delas certamente miaria.

Olhem que beleza de descrição:

"Num forrobodó nem se fala: Ubaldo Capadócio demonstrava seu inteiro valor. A harmônica, de encontro ao peito, a voz rouquenha levada no gole de cachaça, langoroso olhar de súplica, a dedilhar amor. Arrancando suspiros, recolhendo promessas de solteiras e casadas, amigadas e escoteiras, de inconsoláveis viúvas - consolar viúvas fazia parte de sua geneorsa natureza."

Olhei para o lado e crianças se jogavam no chafariz. Eu estava imerso no universo de Jorge Amado, estava em Piranhas. E nossa senhora, como o Ubaldo teletransportado era exibido. Ficava de lá para cá, irradiando..... sexo. Foi incrível, mágico, o personagem estava vivo na minha frente. Me deliciei com cada palavra do texto, que para completar vem acompanhado de ilustrações lindas, super coloridas de Joana Lira, e tem as palavras impressas em roxo.

Quando chegou ao fim, voltei para a realidade. O "meu" Ubaldo Capadócio pegou sua cachorra, foi-se caminhando e sumiu de vista. Confesso que imaginei que ele sairia de cena como no conto: Ubaldo Capadócio, trajando apenas a parte de cima de um babydoll, é carregado por dezenas de pássaros, chefiados por araras, para fugir da vingança de um marido traído, e voando, quase pelado, some entre as nuvens.

2 comentários:

  1. miauuuuuuuuuuuuuuuu...eu ia, além de miar, sair correndo atras do gostoso...beijoca, amore!

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  2. obaaaa mais um blog para eu ler!


    beijos, amore!

    ju

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