
Eu sempre quis conhecer o diabo, nunca teria medo, não acho o diabo assustador. Tenho muito mais medo de extraterrestres, por exemplo, ou daqueles velhos que puxam conversa com a gente na rua, que tem dentes com cores inacreditáveis, e que talvez planejem nos assassinar nas masmorras onde moram enquanto falam sem parar.
E eu o conheci, o demônio, finalmente! Que homem elegante! Que voz! Que olhos! E não é que a sua comitiva é ainda mais interessante do que o digníssimo senhor do garfo vermelho?
Logo que foi lançado pela Alfaguara O Mestre e Margarida, eu e meu irmão ficamos enlouquecidos, já sabíamos da história e morríamos de vontade de ler. Tem algo melhor do que uma trama onde o diabo chega a Moscou acompanhado por um gato gigante, um homem ruivo de canino gigante, uma feiticeira sempre pelada e um elegante homem de roupas xadrezes para enlouquecer a vida de todos???
É o livro mais divertido de todos os tempos, eu fico chocado de o livro não soltar foguetes quando o abrimos. Quem diria que um texto alegórico acerca do comunismo poderia ser tão delicioso? Aliás, os paralelos, os simbolismos, os significados, é tudo um primor. Mas que fique claro: a maravilha do livro não se dá apena por alegorias e metáforas, o verdadeiro triunfo é a liberdade e a inesgotável joie de vivre do sr. Bulgákov na construção dessa narrativa sinistra.

Não existem limites para as barbaridades praticadas pelos terríveis vilões contra os intelectuais russos da época. O gato gigante Behemoth é o personagem mais engraçado e irresistivlmente vulgar do mundo, ele e o comparsa principal, Korôviev (o homem de roupa xadrez e pincenê) são terríveis, delirantes, completamente psicopatas! Os vilões infernais são tão charmosos que é impossível não se apaixonar por eles. Lá pelas tantas o que se deseja é que tudo pegue fogo mesmo, que os diabólicos sejam cada vez mais perversos, malvadíssimos! Bulgakóv nos desperta e nos convence com aquela diversão cruel e quase infantil, o fascínio do caos, e é uma experiência única.
Sempre acho esclarecedor conhecer a vida do autor quando se lê algo, mas nesse caso em particular acho essencial. A compreensão da história se dá de melhor forma, a gente fica mais tocado, é impossível não se comover.
Os personagens título são uma maravilha também, apesar de ser difícil se fazer memorável na companhia de coadjovantes malignos tão esplendorosos. A moça, Margarida, é especialmente, como posso dizer, "endearing", dá vontade de gostar dela de cara, e ela é descrita com tanto amor, é lindo descobrir depois que ela foi inspirada na companheira de Bulgákov, e que foi ela quem terminou o livro para ele (ele ditava e ela escrevia), quando o autor ficou cego por demais.
Esse livro nos autoriza a viver de magia plenamente, felizes, espiões, temos a chance de conviver com gatos gigantes e sortilégios voando por todos os lados, bruxas em vassouras, desforas monumentais.... e o amor!
Vale a pena vender a alma.
Ps: Muito obrigado ao Enzo pelo layout do blog, que ficou incrível!!! Não tenho palavras para agradecer, talvez mande de presente um gato gigante e falador. Êhhhhhh!
O Juergen não só conheceu o demônio, como o apresentou a mim! Agora, toda família é amiga e amante do DIABO! Um viva ao grande CAPETA Bulgákov!
ResponderExcluirDida Cannes Behemoth
Ahh! Você ainda não leu Howards End, não me venha falar então do melhor romance que você já leu na vida hahahahh
ResponderExcluirquando a internet lá em casa voltar, defeito financeiro, te mando meu extenso parecer sobre o Anedotas do Destino.
Na austera opinião do meu coraçãozinho: bom. Mas cheio de falhas!
hahaahhaa
abraçon com cheiro de 2011!
essa é uma trama que realmente não me conquista. mas teu texto apaixonado conquista, com certeza.
ResponderExcluirficou belíssimo o blog mesmo. enzones, parabenes!
abraços.