terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Quero ser uma carpideira albanesa

Por eu ter um nome incomum, eu acho, acabo me deixando levar por pequenas coincidências para me fazer simpático e cheio de boa vontade com o mundo enquanto aleatório. É algo como: eu adoro pessoas que nasceram em abril porque sou de abril, adoro pessoas que tem o nome que começa com J, Adoro pessoas que tem o nome que começa com I (porque o "J" do meu nome tem som de "i"), amo pessoas com nomes com J com som de I (Tatjana, Marja), adoro pessoas ruivas, umas maluquices. Algo assim, sem motivo, mas natural.






Logicamente, quando comecei a ler Abril Despedaçado de Ismail Kadaré, meu coração estava escancarado, pronto para o deleite. E que maravilha quando o universo corresponde. O livro que tinha tudo para ser bom, por minhas pré-disposições malucas, provou-se um triunfo!

Não assisti ao filme do Walter Sales, e na verdade tinha muita vontade de ler o livro apenas em função do "Abril". Meu irmão comprou ele para mim, de presente, sem motivo, acho lindo presente sem motivo, talvez sejam os únicos presentes válidos. Muito obrigado!!!

Logo na primeira cena fiquei enlouquecido, e como não ficar?, tocaia que tem por testemunha romãzeiras?! E mais, sabem como se chama o personagem de arma em punho???


Gjorg!!!

J com som de I! Obrigado meu Deus!

Quem diria que a Albânia é o cúmulo do fascínio??? É mais!

Em montanhas austeras ainda que fantasmagóricas dá-se uma trama inacreditável onde a realidade se torce e somos soltos em um mundo onde a morte é moeda, a vingança hábito, e tudo é dito com beleza de poesia simples!


É uma coisa tão maravilhosa, o texto parece feito de flor, areia, mas com um vento gelado com cheiro de sepultura.

E não trata-se de romance étnico. Existe um personagem intelectual e cosmopolita, um quase sanguessuga das maravilhas e horrores culturais das montanhas, que se mete a subi-las em companhia de sua mulher, e magnificamente se sobrepõem perante o homem o mundo estranho por ele imaginado e o mundo estranho de verdade!


Ps: uma das melhores coisas que já li foi quando contam, em meio a relatos de vinganças intermináveis, sobre duas familias inimigas que moravam em casas uma ao lado da outra e tentavam matar-se dando tiros pela janela. É uma centelha cômica que faz com que o romance seja ainda mais incrível.

Lindo de morrer!!!

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